Saturday, January 29, 2005

medinho

tá ficando cada vez mais existencialista esse livro. eu não queria falar existencialista, prá não parecer metido, mas não dá prá fazer simples. mireveja:

(esse pôsti foi ilustremente interrompido pela visita do uruguaio. eu não descobri ainda se ele gosta de mim ou se ele só acha que eu sou muito sozinha. mas ele trouxe sorvete, e falou que eu era complicada. duas horas depois (em que eu pratiquei meu portuñol):)

"In a Buddhist temple (e olha só, o cientista vai falar pela primeira vez de religião que não é depreciativo), the man in charge explained a little bit about the Buddhist religion for tourists, and then ended his talk by telling them he had something to say to them that they would never (grifo dele) forget - and I have never forgotten it. It was a proverb of the Buddhist religion:

To every man is given the key to the gates of heaven; the same key opens the gates of hell."

e he goes on.

esse cara vivia de acordo com um troço muito legal, sem dar nome prá ele. esse cara era muito jóia.

eu sei que tou ficando rasa, mas deixa que o cara era gente fina.

Feynmania

Oquêi, vai passar, vai passar. Mas por enquanto olha que meigo:

" I thought one should have the attitude of 'What do you care what other people think!' I said, 'We should listen to other people's opinions and take them into account. Then, if they don't make sense and we think thay're wrong, then that's that!'
Arlene caught on to the idea right away. It was easy to talk her into thinking that in our relationship, we must be very honest to each other and say everything straight, with absolute frankness. It worked very well, and we became vey much in love - a love like no other love that I know of. "
(Do livro "What do you care what other people think!")

Existe um filme sobre ele e a sua primeira esposa, Arlene, que morreu de tuberculose bem jovem. Chama 'Infinity', um dia, promessa, vou achar ele.

(Não é um pouco JP - Simone?

E onde foi que eu deixei toda as minhas pequenas verdades a esse respeito?)


Thursday, January 27, 2005

"papa brought me up this way..."

imperdível: videozinhos com o Feynman. Tem ele tocando bongô, falando que "ele detesta honors" (si jamais eu fosse suficientemente boa para achar o mesmo).

http://heelspurs.com/feynman.html

Vivaaaaaaaaaaa

Eu tenho um sinal, voce nao teem, eu tenho, voce nao teem...

Depois de muito tempo olhando e mexendo naqueles raios de espelhos e lentes e criostato,

Viva a fotoluminescencia!

Minha sample esta, veja bem, esta emitindo luz, entao

Viva a Fisica!

Obrigada mae, pai, nobre, obrigada a todos os meninos que, um dia ou outro, me dispensaram, obrigada especial aqueles que se arrependeram, ou que ainda vao, mas nada disso importa mais - pois Clarice disse (depois de muito saco cheio):

Fiat Lux!

Et la lumiere fut.

Monday, January 24, 2005

just like you and me

airy-fairy (AIR-ee FAIR-ee) adjective

1. Light, delicate, fragile.

2. Fanciful, impractical, unrealistic.

Sunday, January 23, 2005

Raiquái

ничего

куда можно идти
если без тебя
у есть всемирный

Do alto da minha sabedoria infinita

Mais uma vez, como eu ia dizendo:

(Calligaris, Folha, 23/08/01)
""De novo: quem nos ama vê em nós alguma qualidade ideal que, de fato, não temos. É bem provável que ele se decepcione (muito ou pouco). Tanto faz, pois o que importa é que, de qualquer forma, sua expectativa nos transformará. "Claro, não sou o amante maravilhoso que minha parceira apaixonada imaginava que eu fosse. Sou mesmo comatoso na frente da TV. Mas a expectativa de minha parceira _que me idealiza e que sonha comigo carinhoso e engraçado_ é a única coisa que pode me arrancar da poltrona."

*** Na verdade, mudamos (para melhor ou para pior) sempre graças a algum outro que espera de nós uma mudança***. Uma criança cresce, por exemplo, alimentada pela expectativa amorosa dos pais. "Joãozinho é um Mozart", declara a mãe.

Joãozinho abandona a música aos 13 anos: grande decepção. Mas resta que, se aprendeu a tocar um pouco, se a música passou a fazer parte de sua vida e mesmo se ele cresceu confiando em seus outros talentos, tudo isso foi graças ao sonho da mãe que olhava para ele e via Mozart redivivo.

***O modelo continua valendo na vida adulta: mudamos graças ao amor de quem nos idealiza e, assim, nos estimula a mudar. O amor é o motor de quase todas as nossas transformações.***

Portanto está certo o conselho de não perseguir nossos parceiros com a exigência de que mudem. Engajar-se num amor querendo mudar o outro é um projeto mal-aventurado.
Mas um conselho mais corajoso e menos ditado pelos ideais celibatários de nossa cultura diria assim: esqueça o infausto projeto de mudar o outro, mas ame com o projeto de ser transformado pelo que o outro espera de você. ""

Saturday, January 22, 2005

não me pergunte por quê

mas eu caí em lágrimas ao ouvir a música do Boca Livre (muito miudinha, linda).
eu acho que conhecia a primeira estrofe, o resto é muito delicado, e eu adoro o jogo de vozes (quem já me disse que odeia quando eu falo "jogo de vozes"? mas é isso aí mesmo).

Clara E Ana

Um coração
De mel, de melão
De sim e de não
É feito um bichinho

No Sol de manhã
Novelo de lã
No ventre da mãe
Bate um coração

De Clara, Ana
E quem mais chegar
Água, terra, fogo e ar

Clara, Ana
E quem mais chegar
Água, terra
Fogo e ar




Tostines

Elis é bom porque os compositores bons davam música prá ela ou os compositores são bons porque cantados por ela?
OK, num é um Tostines no senso estrito do termo, um meio Tostines, vá lá.

coisas

as flores que me fizeram ficar trancada para fora, os planos de poupança, o precipício bem rente, o smart o redbull e o resto, cadê o piano?, os selos agora agora, tudo o que eu mudo em casa, ou que eu mudei depois, mais séria, mais amarga, meu peixinho no banheiro, os camarões da discórdia, os preferidos da ana maria, a cegueira aos recortes do meu quarto, foe, que coisa estranha tudo isso.

Saturday, January 15, 2005

as bad as it gets

do capítulo 'mitologias pessoais':

hoje eu ouvi duas vezes - uma no supermercado, enquanto eu escolhia bananas, outra no filme (pqp que filme ruim) 'Love actually' (mas era o único que o meu vizinho pd tinha no laptop dele) - a música 'God only knows', dos Beach Boys.

mesmo se na Inglaterra a probabilidade que isso acontecesse fosse maior que no resto do mundo.

aí - olha isso - eu percebi que era um sinal: sinal de que eu estou mais velha, mais vivida, mais longe.

menos feliz.


Tuesday, January 11, 2005

mais piada

"O advogado de um soldado americano julgado em corte marcial por maltratos de prisioneiros no Iraque negou ontem, em Fort Wood, Texas, que fosse tortura forçar presos nus a formar uma pirâmide, porque as animadoras de torcidas nos estádios americanos também fazem pirâmides durante os encontros esportivos."
(da Fholha(

mais

Dan Rather, um âncora da CBS, sobre o tsunami, olha que gracinha:
"É difícil para quem está fora entender os sentimentos contraditórios com os quais nos deparamos como jornalistas. Eu digo a mim mesmo que estou falando de um número de mortes que é impossível de se imaginar. Ao mesmo tempo, me dou conta de que é uma grande história. Eu literalmente rezo todos os dias, agradecendo por estar fazendo este trabalho. É uma história como esta que faz a sua carreira."

que cara ridículo (os piores momentos em ***)

FERNANDO DE BARROS E SILVA (Folha den hojke)

Pegadinha do Fuvestão SÃO PAULO - A Fuvest, desta vez, se superou. Exigiu anteontem como tema de redação do vestibular uma dissertação em torno do "Programa para a descatracalização da vida" -isso mesmo. Explico: no ano passado, um grupo de ativistas chamado "Contra Filé" colocou uma catraca velha sobre um pedestal no largo do Arouche, centro de São Paulo. A instalação foi batizada de "monumento à catraca invisível". Era uma maneira de criticar, segundo os próprios autores, o controle "biopolítico, através de forças visíveis e/ou invisíveis", a que estaríamos todos submetidos.
Com base nisso, a Fuvest pediu ao estudante que se posicionasse sobre o "excesso de controles, dos mais variados tipos, que se exercem sobre os corpos e as mentes das pessoas" etc. etc.
Nada contra a simpática anarquia dos "Contra Filé", pelo contrário. Deve ter mais valor do que muita instalação da Bienal. O problema é o espírito meia-oito requentado que anima os examinadores da USP.
***Soa regressivo. A começar pela construção infeliz -"descatracalização" dói nos ouvidos. Tratando-se da prova de redação do maior vestibular do país, seria de esperar, pelo menos, que desse o exemplo. Que tal "descatracalizar" primeiro a língua em que devemos todos nos comunicar?
O que pretendiam, afinal, esses examinadores? Que os alunos discorressem sobre o "homem unidimensional" de Marcuse? Que dissertassem a respeito da "microfísica do poder" de Foucault? Que fizessem a apologia do "bom selvagem"? Francamente...
Dá vontade de ser um pouco grosseiro: perguntem ao morador de Guaianazes o que ele pensa da descatracalização do "busão" lotado...
***Pretendendo despertar o senso crítico do pobre aluno, a redação só induz ao devaneio e a clichês sem substância.
Coroa assim um processo de seleção torturante, burro e obsoleto.
A elite brasileira entra e sai da universidade lendo e escrevendo muito mal. Por que será? Perguntem ao pessoal da Pegadinha do Fuvestão.

Monday, January 10, 2005

muito rápido

que faz 41 minutos que eu estou preenchendo o troço da imigração (que vai custar mais caro que o meu casaco caro, porra) e eu preciso dormir. Então, terminei de ler "Les mains sales", e é muito legal, porque num tem mocinho, num tem bandido, você uma hora concorda com um, outra com outro, acha, desacha, e no final você vê que cada um - no caso, um que acha que o "que vale é só o resultado" (vide alguns pôstis abaixo), outro que é mais político e portanto mais real -, então, que cada um tem as suas razões, que complicado.

muita fome de só comer sopa no almoço, mas é a única forma de me ver livre dos sanduíxes da Bill Gates Building (antro de computeiro).

muita sodades do meu menino, que o emeio dele que eu nem respondi. Eu num quero virar aquilo que ele acha que eu sou (principalmente no que diz respeito à física).

chega por hoje.

Saturday, January 08, 2005

como eu ia dizendo

No exemplo das doações para a Asia: o que conta é a consequência, o montante arrecadado, e não a "intenção" com que se doa. No editorial de hoje da Folha: " A questão é acadêmica: a vítima que recebe não está interessada em saber se os víveres foram doadas em verdadeiro espírito beneficente ou se são o resultado de cálculos políticos e vaidades pessoais. É possível mesmo que essa "competição" pública entre doadores resulte num montante superior ao que teria despontado num contexto de doações anônimas.""Dependendo de quão rigorosos os critérios, pode-se considerar que o gesto desinteressado é uma miragem, inexistindo em estado puro. Isso não torna todavia menos meritória a ajuda para os asiáticos e nem torna piores os doadores." Estou com eles, assim sem vacilar.

Friday, January 07, 2005

mais de nada

sem contar que alagaram meus papéis: deu um puta vazamento no labo, bem onde? Muito bem, bem em cima da minha mesa, escorreu escorreu (eufemismo de menos como chama?) e foi descoberto pelo prófi na volta das férias. Meus montes de paper, todos molharam; alguns secaram médio, os que eu usava mais deu pt, tem que reprocurar.

e eu acho que fui motivo de chacota porque a minha mesa era a mais arrumadinha...

tava com um bruta sono e agora passou, mas eu tenho que ir dormir.

ando estranhinha, nunca estou satisfeita, nunca serei competente no que faço, nunca terei uma vida sentimental limpinha, não consigo levar prá frente nem ter idéias boas de coisas engajadas em educação, não consigo mais conversar, bref: será que população de competência tem decaimento radioativo?

já que a coisa desandou, desandemos de vez: ''é, meu amigo, só resta uma certeza / é preciso acabar com essa tristeza / é preciso inventar de novo o amor.
Rua Nascimento Silva, 107 ...'' (que bosta, dois pôstis, duas músicas, isso é carência)

nada a declarar

hoje me roubaram a lanterna da frente da bicicleta, ontem o detergente da cozinha já tinham roubado, um sono danado, no laboratório arrumação, a certeza de que muito pouco eu sei, que nada sei (plágio).

Thursday, January 06, 2005

(Não) Veja isto

Comentariozinhos sobre a última edição da Veja (eu queria escanear as pérolas, mas ficou difícil). De qualquer jeito, vale a pena conferir:

1) Artigo do Stephen Kanitz: first of all, vale lembrar que eu estudei com o filho do cara, e o filho do cara era um dos caras mais razoáveis que eu já vi: bonzinho, educado, razões políticas (votava no Ciro Gomes), inteligente. Mas o pai anda dizendo umas besteirinhas na Veja ultimamente. Essa semana a idéia foi que "o Brasil anda uma merda porque não é administrado por administradores, ie, figuras formadas em administração". Diz que "os nossos gênios (expressão dele) escolhem hoje, na ordem, medicina, administração e direito (!)", que nenhuma outra profissão tem competência para resolver os problemas, sei lá, que assolam o país. Termina na assinatura: "Stephen Kanitz é administrador por Harvard". Haja.

2) Artigo do Rouanet: preciso pesquisar sobre esse cara, porque na minha cabeça era "alguém de bem". Mas ele botou no mesmo saco o nacionalismo ingênuo de tipo Guarani, o nacionalismo fascista tipo Plínio Salgado e o nacionalismo (que eu considero) conciliador e canibalmente inteligente de Oswald de Andrade. Tudo isso prá dizer o que todos já sabíamos: que não se deve culpar a "invasão" cultural do big stick pela nossa subordinação econômica e política. O único exemplo acertado que ele conta é a estupidez da lei francesa que queria trocar o "hamburguer" pelo "bife de carne moída".

3) Artigo do Diogo Mainardi, ele dizendo que as pessoas comparam ele "com um Paulo Francis piorado". Sem comentários.

obviedades

é lógico que todos os passageiros retidos na customs tinham fenótipo negro ou indiano.

adoráveis pentelhos

Um namorado e um amigo de menos depois: até que enfim, férias.

Tuesday, January 04, 2005

Meu querido Joaquim

Sabe de uma coisa?

A gente foge, vai morar em Tiradentes, você vende jornal na rua e eu lavo para fora. No final do dia, você com as suas notícias e eu com as minhas fofocas sentamos juntos na varanda, e vivemos de conversa, amor e livros.

O dinheiro é pouco, mas suficiente para o sebo em BH (a cada quinze dias, uma vez eu, outra você) e para a nossa viagem anual rumo ao Tibete, ao Egito ou à Ilha de Páscoa, nosso único luxo (bota luxo nisso). Inda acontece sobrar para Capi, a capivara (nós temos uma capivara, viu?).

E não se fala mais nisso.






Mea culpa, mea culpa, mea culpa três vezes (auf Englisch)

Mon petit, mon tout petit garçon français à l'accent español,

Venho por meio desta present my deep apologies (sans blague, carte rouge) concerning the pôsti surnommé "sopa de gambás".

Foi com pesar que I found out, completely by chance, at the airport, that "gambas" en français means camarão, une gambas, um camarão grande, de acordo com NicoPo, "c'est bon, mómo bom". (Avec un petit goût de noisette, il rajoute pour le fun de donner sa contribution au succès de ce blógui.)

Assim you were entirely right to think I overreacted (only this time, d'habitude I am always right), and I apologize for each time I meant to bless (meaning blesser, como se diz essa porra em inglês, hurt, spelled hâche-u-heurter) you by saying, whenever you ate something good, "tiens, c'est de la viande de gambá".

Eu reitero l'aveu de ma stupidité passagère, et compte sur ton infinie tolérance.

Blagues à part: sorry, de tout mon coeur.

PS: NicoPo dixit: salut ma bibiche.

Caio e peço 6, porque eu também, mas meio menos

*Subindo nas tamancas:

A festa, sim, me lembro dela muito ligeiramente, meio não lembrar: o suficiente. Mas pensa, se ela tivesse sido, hoje certamente não seria mais, porque eu mudei e não tenho mais cabeça para essas delicadezas. Ou tenho? Não, não tenho, e infelizmente não posso desenvolver: não tenho e pronto.

A dificuldade dos pares emaranhados é essencialmente nula desde Dalibard (A. Aspect, J. Dalibard, and G. Roger, Phys. Rev. Lett. 49, 1804 (1982)). Eu disse, a fase é de descomplicar, eu também tenho do que ter medo, e a física é tão limpinha que é por onde eu vou. Manja.

A moça com olhos de cigana oblíqua tem sobrenome Lispector e está na capa do novo caderno de literatura brasileira (número duplo). E eu que não tive estômago para terminar um livro dela que seja. Viu?, eu mudei e nem lembro do encontro marcado. Será que eu desmudo um dia, remarco?

Isto é uma gravação. Lamento informar, mas você foi transferido para o departamento daqueles que tiveram "medo, muito medo". Que perderam, me fizeram perder (acessoriamente se gabaram disso) (porque eu sei), e que realizaram tarde. Na opinião dessa humilde voz metálica, não entorne mais o caldo, senhor. O mundo já está tão virado sem confições!

*Descendo das tamancas:

Diz que você escreveu com ssedilha de propósito, ficou tão bonito! Lembra confecção, uma colcha de retalhos, uma expressão preferida em inglês: to patch things up, recosturar os retalhos de uma relação; lembra confiture, fica doce, mas sem passar muito do ponto.

Proposição recusada: X e Y (e Z junto, acho) pensam cada um no seu canto terem errado, mas acho que não. Prova: o equilíbrio global da mistura é estável, a liga é forte, a matéria é a mesma. Nunca é destino: é construção.

Sorrio sempre, sempre: a gente não tem escapatória.

Um beijo perto do coração.

Feliz.

Sopapos na câmara, loirinhos já de volta às praias dos olhos puxados, propaganda da Globo no jornal: o globo metálico subindo sobre uma cidade como se fosse o sol.

E o melhor prófi de física que eu já tive, big boss, fotinho do Lula na sala, "eu sinto falta do laboratório", mas alguém como você é que precisa botar a mão na massa para cuidar dessa política de mesquinhos, professor. Quando eu crescer, eu quero ser como o senhor.

Ano novo.